Hemoglobina glicada (HbA1c): o exame que mostra a tendência do açúcar
Por que a glicada é mais importante que a glicemia de jejum para quem tem ou pode ter diabetes, quais os valores de corte e de quanto em quanto tempo repetir.
A glicemia de jejum mede o açúcar do sangue naquela manhã. A hemoglobina glicada, ou HbA1c, mede a média dos últimos dois a três meses. Para quem acompanha diabetes ou pré-diabetes, é a diferença entre uma foto e um filme.
Como o exame funciona
A glicose que circula no sangue gruda na hemoglobina das hemácias. Como uma hemácia vive cerca de 120 dias, a porcentagem de hemoglobina "açucarada" reflete a média de glicose desse período. Não depende de jejum, não muda por causa de uma refeição e não é afetada por um dia ruim.
Os valores de corte
Os cortes usados pela Sociedade Brasileira de Diabetes e pela maioria dos laboratórios são:
- Abaixo de 5,7%: normal.
- 5,7% a 6,4%: pré-diabetes, ou risco aumentado.
- 6,5% ou mais: diabetes, quando confirmado em uma segunda medição ou junto com outro exame alterado.
Para quem já tem diabetes, a meta de tratamento costuma ficar abaixo de 7%, mas o médico pode individualizar: uma pessoa idosa com outras doenças pode ter meta mais flexível, e uma pessoa jovem sem complicações pode ter meta mais rigorosa.
De quanto em quanto tempo repetir
Os protocolos de acompanhamento sugerem, em geral:
- A cada 3 meses enquanto o tratamento está sendo ajustado ou a meta não foi atingida.
- A cada 6 meses quando o controle está estável.
- Uma vez por ano, ou a critério médico, para quem está em pré-diabetes.
É um exame em que perder o intervalo custa caro, porque a glicada alta por um ano inteiro sem ninguém ver significa um ano de dano silencioso a rins, olhos e nervos.
Quando a glicada engana
Alguns quadros alteram o resultado sem relação com o açúcar: anemia, doenças da hemoglobina, gravidez, transfusão recente e doença renal avançada. Nessas situações o médico pode preferir a glicemia ou outros marcadores. Se você tem alguma dessas condições, comente na consulta.
O que fazer com o gráfico
Uma glicada de 6,8% assusta menos quando o gráfico mostra que ela era 7,9% um ano atrás. E uma glicada de 6,1% preocupa mais quando ela era 5,4% há dois anos e vem subindo. Guardar todos os laudos e olhar a linha, não o ponto, é o que transforma um número em informação.
Texto educativo. Não substitui a avaliação do seu médico. Metas de tratamento são individuais.
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